quarta-feira, 25 de abril de 2012

Heróis do mar, nobre povo...

E esses cabelinhos verdes, que parecem alfaces a reluzir no quintal da avó? Já se lavavam com lixívia e esfregavam as tatuagens com sabão rosa, a ver se ao menos conseguem tirar o grosso. Depois, com o tempo, o resto lá acaba por sair. Nunca se sabe quando terão de ir a um casting do hospital de Braga, e já se sabe que para se ser o próximo funcionário hospitalar de Portugal a imagem conta muito. (Pausa significativa) Desculpem, estou com as meias de vidro da minha mulher e descobri um foguete nas coxas que quase que me violava, o taradinho. É o que dá usar meias de vidro, parece que vos ouço vagir. O problema não são as meias de vidro em si (isso seria uma questão meramente filosófica), mas as meias de vidro sem fazer a depilação... Enfim, ainda me estou a habituar... Pois é, hoje é 25 de Abril à paisana. Ele anda por aí, mas não se vê. Não encontro o 25 de Abril no 25 de Abril. Vou dizer outra vez a ver se isto faz sentido: não encontro o 25 de Abril no dia 25 de Abril. (Pausa) É de ganhar bolas de pelo nas axilas, simplesmente, arrepiante. Não encontras o de 74 no de 2012? Ou não encontras o de 2012 no de 2012? Para encontrares o 25 de Abril de 2012 pões-te no 24 e vais sempre em frente, não tem nada que enganar. Para o de 74 é que é mais difícil. Ainda há umas voltas jeitosas a dar para lá chegar... Ena, ena, tão entendidos que vocês estão em termos de dias do ano! É caso para vos chamar especialistas para matérias de dias históricos que passaram à história. E com aquela história do regulamento, que deve ter sido ditado pela Assunção Cristas (é o mesmo protocolo para vestuário), é normal que o 25 de Abril se acanhe e não saia à rua. Digo eu. Pode ser que apareça amanhã. Hoje o dia também não ajuda muito, está a chover e isso dá pouca liberdade de movimentos às pessoas. E dizem vocês, sempre presentes quando vos cheira a demagogia fácil e a polémica barata: ah, e a associação 25 de Abril que não compareceu às cerimónias da Assembleia da República nem se associou de nenhuma outra forma às comemorações deste ano do 25 de Abril? Então, isso é porque a associação já se tinha comprometido comigo aqui há coisa de uns meses a passar o feriado cá em casa. E esta malta de Abril é uma malta muito comprometida, já se sabe. Já tinham coisas marcadas comigo e quiseram respeitar isso. Aliás, no preciso momento em que escrevo tenho o Vasco Lourenço sentado no meu joelho direito a ditar-me esta crónica desde o início e o resto da malta está lá fora a assar bifanas e a beber caipirinhas. Está tudo muito animado, o Mário também veio, está ali na arrecadação há duas horas a tentar montar num cágado que tenho lá num aquário. O Alegre, que não pode ver o Mário em lado nenhum que aparece logo, está a cantar a trova do vento que passa e a dizer, sem ninguém lhe perguntar nada, que a humidade do hemiciclo dá cabo dos cravos todos. Agora tenho de ir, que o Vasco quer atirar fogo de artifício da varanda. Que um dia sem disparar na vida de um revolucionário, não é dia...

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