quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Manifestações...

E se convidássemos meia dúzia de manifestantes espanhóis para virem dar uma mãozinha às manifestações do lado de cá do risco? Aquilo é que é sempre a abrir... cabeças, pelo menos... Fica a sugestão em jeito de "Aprendei a manifestar-vos como deve ser em Portugal, coño!" As manifestações dos últimos dias em Portugal fazem-me lembrar quando um gajo é novo e sai pela primeira vez à noite! (Pausa) Em primeiro lugar, as manifs têm sido sempre ao sábado! Depois, muito tímidas, como se os portugueses estivessem envergonhados. Basicamente, como na primeira saída à discoteca, cheios de vergonha, bebemos água toda a noite, não dançamos e sempre a olhar para o relógio para ver quando chega a hora de ir para casa! Parece que temos medo de nos manifestarmos demais e que, depois, não nos deixem manifestar outra vez no sábado seguinte! (Pausa) Mas temos cá Gandhis, agora? Toca a partir qualquer coisa! (Pausa) É que não se passa nada! Nem uma imolação, nem um cocktail molotov, nada... Pessoalmente, acho que as manifs funcionariam melhor com um guião e, de preferência, com um encenador. Se fosse eu a mandar, convidava-se o La Féria para organizar as acções de protesto! (Pausa) Até parece que o estou a ver de megafone na mão, em plena Praça de Espanha, a insultar a malta com aquela voz que ele mandou vir do Broadway, a mandar parar tudo, que "não se anda assim" em nenhuma manfestação do mundo, que "não se grita assim" em Nova Yorque, que na Broadway é que se sabe agitar bandeiras, tarjas e proferir palavras de ordem com classe, com afinação, com glamour. (Pausa) Pensando melhor, talvez seja melhor não... É que se a malta já se acanha assim, com o La Féria faziam um buraco no chão e enfiavam-se lá dentro! Bom, por enquanto, vamo-nos contentando com a direcção artística do Arménio Carlos, que ainda usa o nome do tempo da clandestinidade, apesar de ser muito pouco combativo... (Pausa) Não, agora a sério, não sou apologista das manifestações violentas. Bem antes pelo contrário... Aliás, neste momento até estou nu, com a minha mulher, enquanto escrevo esta crónica. Estamos deitados na cama, a fazer amor há uma semana em jeito de protesto pacífico. Convidei a imprensa toda para estar cá... Mas só apareceu, por mais desenquadrado que vos possa parecer, o Carlos Castro pelo Correio da Manhã... Veio de analepse, ou que é que foi! Mas não tarda nada, vai já embora outra vez... (Pausa) Eu, inclusivamente, trouxe a viola para tocar umas músicas, e já esgotei o reportório do Miguel Gameiro, o que talvez seja um sinal de que, provavelmente, esta acção de protesto já estará a chegar ao fim... É verdade, antes de terminar, só mais uma coisinha: já se metia o Passos, o Gaspar, o Seguro, o Portas, a Troika, os conselhos de administração dos bancos todos, os gabinetes de advogados, a Lusoponte, a TAP, a CP, a UGT, o Dias Loureiro e o Duarte Lima, os boys e as vacas todas, ah, e o Cláudio Ramos, já me esquecia, dentro de um avião pilotado pelo Carlos Cruz... Depois, naquele jeito que só ele tem para nos convencer de tudo e mais alguma coisa: "senhores passageiros, vai ter início a nossa viagem com partida de Lisboa e chegada prevista para bem longe daqui, não tarda muito! Pedíamos a todos os senhores passageiros que apertassem o cinto de segurança, sobretudo porque já dei instruções à tripulação para abrir as janelas quando atingirmos vinte mil pés de altitude. É assim que fazem os mormons e nós não somos menos que eles..." (Pausa) Só mais uma coisinha, só mais uma, a sério:
 - Quem é que convidou o Tom Waits para treinar o Sporting?

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