segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Democracia a mais para país a menos...

Exmo. Senhor Presidente da República,

Quem lhe escreve é um dos quatro cidadãos nacionais que não foram processados pela Tecnoforma no âmbito do caso com o mesmo nome. Estive a contá-los e para além de mim escaparam para já incólumes, justamente, o Senhor Presidente da República, Pedro Passos Coelho e o professor Marcelo. O resto do país está a braços com o advogado daquela Consultora, estando os 9.997.000 processos agora instaurados prestes a dar entrada no Citius antes do verão de 2020, altura em que a plataforma da justiça deverá terminar o processo de reset iniciado no início deste mês. É possível que esta previsão - verão de 2020 - sofra atrasos.
Escrevo-lhe porque não podia estar mais de acordo consigo quando, na própria sexta-feira em que o Primeiro-Ministro foi a AR esclarecer senhas para almoço e bilhetes em executiva para Cabo Verde, o Senhor Presidente da República comentou este caso. Enquanto toda a gente estava com a mira apontada às despesas de representação apresentadas por Pedro Passos Coelho ao Centro Português para a Cooperação, o Senhor Presidente da República fez o que lhe competia e viu mais do que os portugueses todos juntos foram capazes. Munido com toda a certeza de equipamento militar, não fosse o Senhor Presidente Chefe Supremo das Forças Armadas, viu politólogos e comentadores a mais! Enquanto não formos capazes de nos libertarmos do supérfluo e irmos ao essencial, este país não sairá do sítio. Obrigado Senhor Presidente... Se me permite, obrigado, mestre.
O Senhor Presidente veio colocar o dedo na ferida: há tão pouco país para democracia a mais. Temos democracia em Portugal que dá para a Espanha toda e para a França inteira. Vivemos claramente um descontrolo do lado da despesa no que à democracia diz respeito. Toda a gente sabe que democracia gasta muito gás e electricidade e depois não há quem se chegue à frente para pagar a conta.
Atento a esta problemática, o senhor Presidente analisou os hábitos de consumo de opinião de politólogos e comentadores e descobriu que esta gente "comenta e opina 24 sobre 24 horas", o que arrasa qualquer economia doméstica.
É por isso que eu proponho uma democracia em tarifa bi-horária, em que o kilowatt da opinião saia a metade do preço. Por exemplo, no período compreendido entre as 00h e as 09h o uso da palavra teria um custo kilowatt mais barato 50 porcento que durante o horário diurno, quando há mais gente acordada e, se calhar por isso, mais propensa a falar e até a dar opiniões, imagine-se, como se isso não custasse nada! 

Atentamente,
Miguel Relvas
(Consultor)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Da importância da fonética na hora de se escolher uma ongue ou "breakfast at Gambrinus

Se Marinho Pinto não quer ganhar 18000€ no Parlamento Europeu porque é muito
E não quer ganhar 4000€ no parlamento português porque é pouco
Logo Marinho Pinto quer ganhar 5000€ numa ongue porque é remediado
(silogismo grego muito antigo que eu acabei de criar)

Meu "caro" Marinho, permita-me que o trate assim mais familiarmente, introduzindo esta nuance não remunerada na forma de o interpelar - e da qual apresentarei competente despesa de representação - facilitadora da comunicação mais informal de quem pretende estabelecer consigo uma relação mais pessoal. Queria aqui deixar-lhe algumas dicas na escolha da Organização Não Governamental (ONG) a quem apresentar as suas despesas de representação alheias a funções que deverá exercer de forma exclusiva para este Parlamento, para aquela Consultora e para aqueloutra Ongue.

1. Em primeiro lugar é necessário saber distinguir uma ongue de uma o-éne-gê, devendo o meu caro Marinho estar consciente de que o que deve procurar é uma ongue (é assim que o primeiro-ministro diz "o-éne-gê"), organização da família das o-éne-gês, mas que se distingue pelo seu carácter facilitador, faróis de xénon que permitem avistar facilidades no meio da bruma mais cerrada e sensores de marcha-atrás.
2. A ongue onde prestar os seus serviços de deputado não pode ser uma dessas o-éne-gê rafeiras a que nunca tenham estado ligados ex governantes.
3. Deve ser uma ongue recheada de governantes - ou aspirantes a isso - que sejam facilitadores e não dificultadores. 
4. Com dificultadores este país não avança, mas com facilitadores há-de ser sempre a abrir. Há muitas o-éne-gês que não são "ongues" e que por isso não vão a lado nenhum, nem levam as pessoas que delas fazem parte a lado nenhum também.
5. Se por acaso tiver dúvidas do que facilitam ongues, dirija-se a São Bento onde se encontram os maiores especialistas mundiais na matéria por m2. Em qualquer dos casos, qualquer leigo na matéria como eu saberá adiantar que uma ongue paga despesas de representação sem pedir nada em troca e que um facilitador apresenta despesas de representação também sem pedir nada em troca. Não se trata de um comércio, trata-se de uma IPSS sem fins lucrativos.
6. O preço de mercado para despesas de representação ronda os 5000€ mês, como é do domínio público, não sendo raro, por tratar-se de um rendimento insignificante, que os titulares deste tipo de rendimento se esqueçam de que o recebem.
7. É por isso que eu aconselho Marinho Pinto a mandar CV para a AR. Estou certo de que o irão contratar em regime de exclusividade, que é aquele que lhe permite acumular com outras funções. Gosto de sublinhar bem isto porque há pessoas que, por incrível que pareça, acham que é ao contrário! Pessoas muito provavelmente mal intencionadas, que de certeza não sabem distinguir uma o-éne-gê duma ongue, nem que a ongue lhes vá bater à porta!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

As «incongruências» (da fórmula) de Menezes...

Quando a pessoa do general Humberto Delgado foi assassinada, o político também pereceu, e não consta nos anais da história que, tanto a pessoa como o político, tenham vindo depois para a praça pública fazer um chinfrim danado à conta de um processo, em princípio, irreversível, como é a morte, salvo raras excepções como Jesus Cristo ou a duquesa de Alba. Vêm estas considerações de ordem sobrenatural a propósito de qualquer uma das últimas 20 intervenções públicas de Mário Soares, e do caso do ex autarca de Gaia, Luís Filipe Menezes, de quem soubemos entretanto, ter sido vítima de "homicídio pessoal e político", segundo as palavras do próprio. E é precisamente aí que a porca torce o rabo. Estou habituado a que os mortos entrem num sono eterno, se calem para sempre ou partam para o outro mundo. Sempre que isto não acontece, dou coices contra o gradeamento da varanda da sala, que dá para uma avenida movimentada da cidade. Noto que se trata da primeira pessoa vítima deste tipo de crime a apresentar ela própria queixa junto das autoridades, o que não deixa de ser notável. Vítimas anteriores deste tipo de homicídio duplo, especialmente violento, pois relembro que é pessoal e é também político - não fosse o político continuar a andar por aí depois da pessoa já ter batido as botas - agiram de acordo com a ausência de actividade cerebral e mantiveram-se mortos depois da morte. Mostra coerência e, no caso de um político, respeito pelos seus eleitores. No caso de Luís Filipe Menezes estão em causa umas acusações menores de "ajustes directos" a empresas de menor dimensão do nosso tecido empresarial, ao que parece, uma tal de Mota Engil, de que eu nunca sequer tinha ouvido falar antes deste caso, e tenho a certeza de que Luís Filipe Menezes também não, e umas histórias de financiamentos de campanhas do PSD. Estou certo que esses "ajustes" sem importância se ficaram a dever a "incongruências" das fórmulas usadas pelos serviços da câmara de Gaia e às quais Menezes é totalmente alheio. Mas nem sequer quero entrar por aí em respeito pela memória daqueles que já partiram e, que por razões óbvias, já não se encontram entre nós.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Educação em estado de citius

Em primeiro lugar, gostaria de começar por me dirigir ao senhor ministro da educação, Nuno Crato, e pedir-lhe desculpa por todas as vezes que o insultei publicamente em manifestações várias em que já participei. Prometo não tornar a fazê-lo até à próxima manifestação, pois já me andava a habituar a insultá-lo mesmo nos lapsos de tempo entre manifestações. A culpa de ter ganho gosto a invectivar o senhor ministro a toda a hora é assacável aos serviços da minha mulher, que ao fim de 15 anos a trabalhar para si, resolveu não ficar colocada. Já a despedi por causa disso e agora vou arranjar outra que saiba concorrer na plataforma da sigrhe e para quem fórmulas matemáticas erradas não sejam um obstáculo inultrapassável. Descobri que afinal não preciso dela para nada, tal como o senhor ministro, e gostaria de lhe agradecer o facto de me ter aberto os olhos para isso. Conhecendo o senhor ministro como "conheço", tenho a certeza, aliás, que a fórmula matemática errada usada para o cálculo da graduação dos professores na Bolsa de Contratação de Escolas não foi um erro, mas sim um teste à atenção dos professores e à saúde coronária dos mesmos. Quem resolveu o enigma da esfinge e/ou não sucumbiu a um enfarte merece continuar a dar aulas... no Alentejo. Quando ouço pessoas, sobretudo, professores, dizerem que este concurso de colocação de docentes é um caos sem sentido só me apetece beber red bulls, zurrar desculpas, beber red bulls outra vez e despedir pessoas. Dá-se demasiada importância à lógica das coisas neste país, e é por isso que este país não avança. Ou melhor, não avançava. Porque com o senhor ministro e, já agora, com a sua colega da justiça, este país vai finalmente para a frente, e vai sempre a abrir. Quando Chesterton escreveu, no início do século passado, que quando não encontra o fio da razão segue fielmente o fio da irracionalidade, ele estava a pensar no senhor ministro Nuno Crato. Ah, mas isso é impossível, Hélder, porque o ministro da educação vive 100 anos à frente de Chesterton! É possível sim senhor, temos é de usar a fórmula matemática de Crato para colocar professores. Mas é perfeitamente possível. Finalmente, e se me permite o senhor ministro da educação que desvie o foco de si por breves palavras, para falar do mentor de tudo isto, o senhor Primeiro Ministro. Disse Passos Coelho no início deste ano lectivo que este é o melhor arranque de sempre de um ano escolar, nomeadamente, no que toca à colocação de professores. Devo dizer que o senhor primeiro ministro tem memória curta. Basta recuarmos ao ano lectivo 359-358 ac, ano em que tínhamos na lista de professores colocados, nomes como Platão ou Aristóteles e em que não havia docentes por colocar. Nesse ano Alexandre Magno foi para o quadro de honra e mérito e o mundo, tal como o conhecemos hoje, nunca mais foi o mesmo. Claro que - e voltando ao senhor ministro da educação - o problema de Nuno Crato não é a filosofia. A sua filosofia está óptima, o problema é a sua matemática. E isso já nem é a primeira vez que acontece a um matemático. No caso, Nuno Crato quis mais uma vez inovar e inverter a ordem das coisas, rompendo com uma longa tradição de matemáticos que não percebiam nada de filosofia, e que teve o seu expoente máximo em Pascal, iniciando um novo paradigma de matemáticos que não percebem nada de matemática. Cá por mim não acredito em matemáticos, pero que los hay, hay! Ai, ai!