sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Assunção do carinho aos céus...

Na semana que antecede a semana em que se comemora os quarentas anos da revolução dos cravos parece que o 25 de Abril está de quarentena! A presidente da Assembleia da República anunciou que sente um carinho especial pelos capitães de Abril. Eu já não via alguém a nutrir carinho assim desde o tempo da velha senhora, isto, sem querer fazer trocadilhos fáceis com a idade da senhora presidente da AR. Até porque a velha senhora já bateu as botas vai fazer no próximo dia 25 quarenta anos e ninguém fica para a semente, dizia a minha avó antes de uma doença neuro degenerativa lhe ter retirado a faculdade de falar. É caso para dizer que a minha avó preenche mais os requisitos que um capitão de Abril tem que ter segundo Assunção Esteves que um capitão de Abril de verdade. Eu sei o que estão a sentir os capitães de Abril neste momento, para além da artrite reumatóide e da falta de pontaria no momento de urinar em pé sem levantar a tampa. A minha ex mulher também disse que sentia um enorme carinho por mim no dia em que me pôs as malas à porta com um "nunca mais te quero ver" escrito num post-it colado do lado de fora do olho de boi. Para lá do simbolismo do ponto escolhido pela minha ex mulher para colar o papelinho amarelo, que me escusarei a comentar, senti que quando o amor acaba este dá muitas vezes lugar ao carinho, que é o que Assunção sente agora pelos capitães. Eu não vi se Assunção colou, ou não, um post-it na testa de cada capitão de Abril onde expressava que apesar de todo o carinho que por eles nutria, continuar a fazer amor com eles era de todo impossível, mas vi-a chegar à sede da Associação 25 de Abril preocupada em baixar o volume do "ruído"- como ela lhe chamou - criado à volta do silêncio imposto aos capitães de Abril. E o que é que a descida de Assunção ao mundo das pessoas trouxe de novo à polémica em torno da interdição de falar imposta aos capitães durante as cerimónias comemorativas dos 40 anos do 25 de Abril, a decorrer na Ar? Nada! O que a senhora presidente da AR foi dizer à sede da Associação 25 de Abril, quando aí desceu para fazer aquelas cenas que as santas pessoas costumam fazer quando descem até cá abaixo à beira de pessoas, é que o senhores capitães de Abril estão todos convidados para a festa de anos da democracia mas não podem comer bolo. Vão, quando chegarem limpam os pés na tapete da entrada, ficam um bocado, não mexem nos bibelôs, que Assunção tem aquilo muito arranjadinho com naperons de Mogadouro desde que preside à casa da democracia, e no fim dão o pirex sem aborrecer os outros meninos que vão lá estar e que podem falar, comer bolo e tirar fotografias com a democracia para meter no face da AR. 

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