sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Um país de Mirólhos...

Olá, então ainda está tudo a chorar à conta dos quadros que o Oliveira e Costa tinha na dispensa do BPN? Deixem-se de mariquices! Só Mirós cá em casa tenho duas dúzias feitos pela minha filha mais nova no segundo ano do Jardim-de-infância. Passei a semana toda a seguir o relato do jogo do leilão da colecção Miró, que pertencia ao espólio da Parvalorem, e a pensar que parva que sou. Francamente, não percebo a histeria! De repente, o país começou a discutir a par dos milhões por Matic e André Gomes os milhões pela colecção Miró. É o mercado de inverno da pintura: por quantos milhões se transferiram os quadros do Miró para o Zenit de São Petersburgo? Que orgulho seria o Miró a jogar ao lado de Danny... Para mim, o secretário de estado da cultura é o único que percebeu a essência da questão. Ainda esta noite sonhei com ele a vender telas do Miró no Bairro Alto à noite: "Qué Miró? Qué Miró? Qué Miró?", ao lado do colega indiano dele que vende flores! Estes indianos não perdem nunca o fio à meada do negócio. Não sei se já repararam, mas o próprio secretário de Estado da cultura parece uma obra de Miró... É esquisito e tem um traço estranho... Jorge Barreto Xavier é uma figura um bocadinho surrealista e pelo menos agora sabemos onde se escondeu Sousa Lara estes anos todos: no fígado de Barreto Xavier. Sem grandes exclamações porque já andávamos desconfiados! De cultural a única coisa que o Barreto tem é aquele aspecto de Fernando Pessoa depois de uma tarde de solário. O que não tem nada de mal, atenção! Pessoalmente, eu estou para a pintura como um poster do José Castelo Branco está para a cabine de um motorista de pesados, e até fico muito admirado com a quantidade de admiradores da obra de Joan Miró... Pelos vistos havia um admirador de Miró em cada um de nós, e só agora é que ficamos a saber. É como diz o povo: só damos valor às coisas quando as perdemos. Ou: em terra de mirolhos, quem tem 85 obras de Miró é rei! Ou então: pior Mirolho é aquele que não quer Miró! Agora, vou ali inventar trava-línguas com a palavra parvalorem, que parece uma declinação latina no modo acusativo, mas isso fica aqui entre nós.. dois, três, desculpem, estava a esquecer-me do Vasco Graça Moura, que estudamos latim. 

Este é para o Barreto tentar destravar:

Parvalorem que parva parvalorem 
Parvalorem que parva parvalorem
Parvalorem que parva parvalorem

Parte parvalorem pra longe
Parte parvalorem pra longe
Parte parvalorem pra longe

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