quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ainda bem para vós que eu existo!


Grupo de cidadãos mal informados querem acareação entre mensagem de Natal de 2011 e a mensagem de Natal de 2012 do Primeiro Ministro ao país, mas eu acho que não vale a pena e explico tudo a seguir.                                                                                            Quando Pedro Passos Coelho falou ao país no Natal do ano passado, o país desconfiou, mas eu não! Eu tive a certeza: o Primeiro-Ministro revelou-se ao país duma maneira e a mim de outra. A história da revelação está cheia de casos destes: uns vêem os negativos, outros, a imagem revelada, nítida, clara; onde uns vêem uma aparição, outros vêem algodão doce com diferentes formas, e não é por isso que as pessoas se hão-de zangar. Quando na mensagem que antecedeu o Natal de 2011, o chefe do governo se referia a "reformas estruturais" para 2012, Passos Coelho aproveitou e escreveu um kamasutra... No caso, das reformas políticas, ao prometer que estas reformas nasceriam "de baixo para cima", e não ao contrário. Ao fazê-lo, Passos demonstrou ser um político sagaz e visionário, percebendo como poucos o sentimento da população. É que para os portugueses é irrelevante apanharem com reformas quando elas vêm da esquerda, ou da direita, agora já são esquisitos quando elas vêm de cima! Se elas vêm de cima, o povo não gosta, agora se elas nascem de baixo, como a água, então aí já não há problema. O Primeiro-Ministro sabia-o, eu sabia-o, os portugueses ficaram a saber, pois apesar de tudo, não estavam conscientes disto! Na mensagem de Natal de há um ano atrás, Passos Coelho falou ainda que "o Natal é uma festa de dádiva, de tolerância e de partilha". É, talvez, por isso que hoje mesmo, um ano passado, ele tenha decidido ser tolerante e dar a ANA aos franceses da Vinci. Ah, nada como partilhar uma empresa pública com o capital estrangeiro para um Primeiro-Ministro se sentir revigorado... Com um ano de antecedência, o Primeiro-Ministro anunciou a prenda no sapatinho para o grupo francês, sendo que Passos Coelho quando dá, dá! A dar, é qualquer coisa que se veja, qualquer coisa que dê! E a ANA era talvez a única empresa pública que dava! Foi por isso que Passos a deu a um consórcio onde não há empresas portuguesas. Isso não seria verdadeira dádiva, pois haveria interesse daquele que dá em dar... E isso configuraria um utilitarismo ético inaceitável para a matriz social-democrata de Passos... Afinal, sabemo-lo agora, a mensagem de Natal de há um ano aos portugueses tinha por destinatários os franceses deste ano... E só não foi em francês porque o acordo ortográfico não vai tão longe e, estou certo, porque Merkel se indisporia terrivelmente. E o Natal não é para indisposições, nem maus sentimentos. É também por causa disto que não poderemos tolerar interpretações dúbias das palavras do presidente do Conselho. Quando Passos Coelho referiu que queria "colocar as pessoas, com os seus sonhos, no centro das transformações políticas", o Primeiro-Ministro mais não disse do que "colocar as pessoas no centrifugadora das transformações políticas". Estava lá tudo, só a maledicência poderia dizer que o Primeiro-Ministro não foi claro quando disse o que disse a quem o disse. Colocar os portugueses no centro da 123 e depois carregar no botão não é mau para os portugueses, é bom, chama-se hachis parmentier e os franceses adoram.

Crónica humorística para imprensa escrita

Um comentário:

  1. Alô miúdo, já andava a estranhar tanta ausência!!! Mas plo que leio, as rabanadas, não lhe tiraram, nem o gosto, nem o jeito. O meu amigo continua extraordinário!!! :) Vá, faça o favor de continuar a fazer felizes os seus amigos! Assim, faço votos de que, 2013 lhe seja generoso em tudo, incluindo a capacidade literária... Beijinhos e um xi pra si e toda a famelga!

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