segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Noticiário das 12

Pivô - Bom dia a todos.
Segundo conseguimos apurar junto da internet, começa hoje o julgamento das "contrapartidas" no caso dos submarinos. À falta de melhor, julga-se as "contrapartidas" apesar do primeiro ministro à época, Durão Barroso, e o então ministro da defesa, que assinou o contrato entre o consórcio alemão e o Estado português, Paulo Portas, não estarem, de momento, ocupados com nenhum outro julgamento e, por isso, disponíveis para este. Em termos logísticos, sentar as "contrapartidas" no banco dos réus não foi fácil, como pôde apurar o nosso repórter, que se encontra junto ao pavilhão dos bombeiros onde decorre o julgamento.
 
(A emissão passa para a entrada de um pavilhão de bombeiros, onde decorrem as audiências. Junto à entrada, encontram-se gruas e camiões de grande porte)

Repórter - É isso mesmo, Tó Bé. Com efeito, foi muito difícil encontrar as "contrapartidas" para o Estado português do negócio dos submarinos, pois durante muito tempo estas encontravam-se em parte incerta. Ninguém sabia bem quais eram as "contrapartidas" e onde estavam. O que é estranho, porque as "contrapartidas" são muito grandes e deveriam ser localizadas com facilidade. Ao que parece, as "contrapartidas" não se encontravam onde era suposto estar e daí as dificuldades por parte da justiça portuguesa, hi, hi, hi, desculpem, justiça por...tu... hi, hi, hi... (Recompõe-se) Peço desculpa, dificuldades, dizia eu, em encontrá-las...
Tó Bé - Tó Jó, desculpa interromper-te. Mas para que efeito são essas gruas enormes aí mesmo atrás de ti, em frente à entrada para o tribunal improvisado?
Tó Jó - Ainda bem que me avisas, porque estava de costas e não estava a ver. (Olha para trás, volta a olhar para a câmara) Ah, já sei. Estas gruas estão aqui pois foram necessárias para movimentar as "contrapartidas" desde estes camiões enormes que aqui vemos até ao interior da improvisada sala de audiências.
Tó Bé - Tó Jó, desculpa interromper-te uma vez mais...
Tó Jó - Desculpa eu interromper-te, mas tu não me interrompeste. Eu já tinha terminado de falar...
Tó Bé - Ok, desculpa então pelas outras vezes todas em que já te interrompi. Mas dizia antes de me interromperes: o que é que a defesa espera conseguir deste caso?
Tó Jó - A defesa espera conseguir convencer o tribunal que quem deveria estar no banco dos réus não são as contrapartidas, mas sim os próprios submarinos, ao fim e ao cabo, os grandes culpados deste caso todo! Senão fossem eles, segundo a defesa, nada disto teria acontecido. Segundo a defesa, ainda, os verdadeiros culpados deste caso andam à solta por aí no Tejo a fazer tangentes a barcos e gastar gasóleo desnecessariamente, contribuindo de forma assustadora para a despesa do Estado.
Tó Bé - (Estarrecido) Agora a sério, Tó Jó... Vá...
Tó Jó - Mais sério é impossível, Tó Bé.
Tó Bé - Mas isso não faz sentido nenhum!... Então e tu achas que o juiz vai nessa?
Tó Jó - Sabes que a justiça portuguesa... hi, hi... Desculpa... Dizia: os caminhos da justiça portuguesa são insondáveis... Ao que consegui apurar, a justiça portuguesa (pára, respira fundo, contém o riso e consegue) escreve direito por linhas tortas, portanto, é bem possível que daqui a algum tempo se sentem no banco dos réus os próprios submarinos.
Tó Bé - Mas Tó Jó, como é que os submarinos vão caber na sala de audiências?
Tó Jó - Quanto a isso não há que haver preocupações desnecessárias. A Ferrostal já disse que forneceria a bom preço umas gruas especiais de grande tonelagem, próprias para transportar submarinos do exterior para o interior de salas de audiência.
(A imagem regressa ao estúdio onde se vê o pivô a cair para o lado com grande estrondo. A imagem regressa ao repórter)
Tó Jó - Deixei de te ouvir (retira os auriculares dos ouvidos). Olha, estão a sair neste momento da sala de audiências trinta, dos cerca de duzentos advogados de defesa... Vamos tentar chegar à fala com um deles... (Vê-se vários jornalistas escolhendo advogados) Olha, sobrou este... (Agarra o advogado pelo braço) Em directo para o nosso jornal, diga-nos doutor, vai ser possível anular este julgamento, tal como a defesa pede, e sentar no banco dos réus os próprios submarinos?
Advogado de defesa - A nossa expectativa é essa. Repare, é uma injustiça as "Contrapartidas" estarem sentadas hoje no banco dos réus, que para mais, é pouco confortável e até incómodo. Já levantamos cerca de 20 incidentes processuais, só entre as 10 e as 10:30h desta manhã por causa desse facto, e outros 20 por causa da fraca luz natural existente na sala de audiências, que afecta a menina do olho de uns tios meus que vivem em Inglaterra, o que é iníquo e inaceitável!
Tó Jó - E relativamente aos submarinos, que provas concretas há de que são os verdadeiros culpados neste processo?
Advogado de defesa - É claro que os submarinos são culpados, vê-se logo ao olhar para eles, sobretudo, quando emergem à superfície da água. Está na fuselagem que são culpados! Está na fuselagem!
Tó Jó - Não sei se me estás a ouvir, Tó Bé, mas é tudo daqui neste momento. Assim que haja novidades, voltaremos à antena.
(O sketch termina com a imagem da secretária vazia do pivô. Deste apenas se vê as solas dos sapatos, indiciando que caiu para trás e ficou com as pernas para cima, apoiadas na beira da mesa)
 
Sketch humorístico escrito para televisão

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