sábado, 12 de maio de 2012

Onde é que se meteu o sacaninha do cherne que ainda agora estava aqui e eu queria segui-lo para todo o lado?!

Como é que Ele disse aquilo, ai?!, como é que foi?!, caramba?!, que até me falha o luxemburguês de Portugal em que Ele disse aquilo, deve ser isso que é a Sua inefabilidade, ai?!, se eu te pego, ai, como é que Ele disse?!, ah, já sei, Ele disse assim: "estar desempregado não pode ser, como ainda é para muita gente hoje em Portugal, um sinal negativo". (Pausa) E andava tanta gente preocupada com o desemprego!... (Pausa) Que desperdício de tempo e energia! Noites mal dormidas, gente que se matou! Oh, vã glória dos fracos... Ainda bem que Ele resolveu avisar-nos ontem de como é que isto deve ser entendido! Olha se Ele decidia continuar calado! Eu sei que Ele escreve direito por linhas tortas, é isso que O distingue dos simples mortais, que escrevemos torto por linhas linhas dreitas, fenómeno a que se chama imperfeição ou finitude. Agora que era uma oportunidade é que nós não sabíamos... Cambada de idiotas que não enxergamos uma oportunidade como esta que nos entra pelos olhos adentro!... Pela casa adentro!... Pela carteira adentro!... E mesmo assim não demos conta!... E bem que Ele tentou enviar-nos tantos e tão claros sinais, misteriosos sinais de uma oportunidade que não soubemos ver: as sucessivas alterações ao código de trabalho, a precariedade, a facilidade dos despedimentos, as novas regras de atribuição e manutenção do subsídio de desemprego, enfim, tantos foram os Seus sinais e, mesmo assim, não compreendemos os Seus desígnios e pensávamos que era mau estarmos desempregados. (Pausa) Faltámos às aulas de semiótica na faculdade e, na verdade, também faltámos à catequese! Porque, ou é impressão minha, ou naquele seu português encriptado e profético, que Ele encomendou no Brasil, onde há mães de santo, pombas giras e outros fenómenos do Entrocamento de São Salvador da Baía, como João Kléber e Fafá de Belém, e no qual também nos exprimimos agora neste lado do mar, o que o Deus, que neste terceiro milénio incarnou no primeiro ministro português, disse foi que estar desempregado "deve constituir uma oportunidade para mudarmos". Sendo que o que Ele queria dizer é mudarmos de país, coisa que Ele, aliás, já havia dito. Basicamente, o que Ele disse agora foi um mix do que já havia dito quando apontou o caminho da emigração para os jovens portugueses, qual Infante Dom Henrique apontando para oeste... E já vai avisando: "nem temos empregos para toda a vida", o que sugere uma abordagem interessante ao conceito de estabilidade no emprego e carreira, seja ela qual for. Aliás, os políticos são, em rigor, exemplo disso mesmo: há pessoas visionárias em Portugal, que perceberam há muito esta verdade que Ele ontem comunicou ao país, na verdade, o mesmo país de 1917. Quais pessoas? Tantas! Ferreira do Amaral, por exemplo, apesar de ser engenheiro mecânico, já trabalhou no sector das Pescas, no sector da Agricultura, no área do "investimento estrangeiro", na área das "indústrias nacionais e de defesa", já foi secretário de estado das indústrias extractivas, já foi ministro do comércio, já foi ministro das obras públicas, donde saltou directamente para a Lusoponte, sem passar pela casa de partida, e depois de ter sido o ideólogo da ponte Vasco da Gama... Se isto não é antecipar as palavras d'Ele em muitos anos, é o quê? Daí que no currículo de Ferreira do Amaral e de tantos outros visionários que, na verdade, compreenderam há muito que não há um emprego para a vida inteira e é preciso perceber as oportunidades quando elas aparecem, e no caso dele e de tantos outros ex-políticos, oportunidades de mudar não têm faltado, deveria constar a sua actividade profética, na medida em que nos anunciaram com anos de antecedêndia as palavras que Ele ontem nos anunciou. Proponho, só para acabar isto rapidinho que estou quase a vomitar [é o que dá comer cherne que estava há 10 anos no frigorífico], que todos os desempregados façam formações na área da teologia filosófica, para compreenderem o conceito de perenidade, tal como ele nos é proposto na declaração: "nem empresas para a eternidade". Apesar da eternidade ser um sector onde não há desemprego, constituir um excelente modo de vida e dar de comer a muita gente! Deve ser por isso que não muda muito, não há oportunidade para isso...

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