domingo, 22 de abril de 2012

Do risível próximo

Cada vez que o mundo acaba escondo-me debaixo da cama e falo como o Scooby-Doo. Ultimamente, o mundo tem acabado praticamente todos os dias. (Pausa. Silêncio prolongado para sublinhar que o mundo não pode "acabar todos os dias") O que me vale é que sempre que o mundo acaba eu sou dinamarquês. E na Dinamarca o mundo está para durar, porque a capital é Copenhaga. (Pausa. O silêncio serve para que se perceba que não há qualquer tipo de lógica no juizo "porque a capital é Copenhaga") E isso é bom. (Pausa igual às anteriores) Percebe-se muito que esta crónica é sobre a crise? Então não é! É sobre coisas mais concretas, mais palpáveis. É sobre metafísica. (Pausa. Dar tempo ao público para que se recomponha) Para o meu filho, há coisas que existem e coisas que existem mesmo. A nuance é subtil mas ele é claro relativamente à sua existência. A nuance existe, a nuance entre as coisas que existem e as que existem mesmo. Num dos próximos posts lançarei às feras o "perito em nuances", alguém cuja função é detectar diferenças subtis. Começou no "descubra as 8 diferenças" da secção de passatempos dos jornais e revistas e atinge agora o auge neste espaço de carácter humorístico. Voltando ao tema com um exemplo: os heróis dos desenhos animados existem, mas as pessoas como eu ou a mãe existimos mesmo. Ele pode pronunciar-se sobre as coisas que existem, mas as que existem mesmo podem igualmente pronunciar-se sobre ele. É ele que vê as coisas que existem. São as coisas que existem mesmo que o veem a ele. Ele é o autor de toda a metafísica que existe na sua vida. (Pausa. Serve para que se perceba que o comediante perdeu a comédia e não sabe onde vai. O comediante começou a falar a sério e perdeu-se. Serve também para demonstrar que nada percebe de metafísica) Vem isto a propósito do José Castelo-Branco. (A introdução do elemento desconstrutor do texto é essencial em comédia. Como é que eu sei isso? É uma daquelas verdades reveladas... Ou ciência infusa!) Porquê? (Pausa) Eu não queria ter de responder assim, mas vocês não me deixam alternativa: porque sim! Mas isso é extremamente infantil, parece que vos ouço urdir teias de maledicência. Não é possível introduzir o José Castelo Branco sem uma lógica de continuidade no texto, sem que isso faça sentido. Isso é mais um exemplo de comédia gratuita, esvaziada de conteúdo. (Pausa) É pá, vocês não se calam. Só respondo porque vocês me aturam à meses e fazem amor comigo nos vossos sonhos. (Recorrer a Seinfeld resulta sempre) Quando é que aprendo o há do verbo haver? É pá, parem lá um bocadinho e deixem-me responder à vossa pergunta, que apesar de impertinente, tem quês de sanha bem doseada: e desde quando é que o José Castelo Branco faz sentido? Se fosse um texto, o conde não acertava uma única vírgula, apesar destas sacaninhas, como sabemos, serem do mais taiçoeiro que há. Ah, mas se falas no conde, é porque não tens tema. O conde já não é tema. Este teu texto, desde o início, é sobre nada. E não se faz comédia a partir de nada! Pega-se nos jornais, escolhe-se o que mais se ajeita para se fazer piadas sobre e começa-se a escrever! Sobre nada não há piada possível. E já chega de pegar sempre nos mesmos: José Castelo Branco, Cavaco, Gaspar e o governo, o Álvaro, a Cristina e o Manel, a Júlia e o professor José Hermano Saraiva. Têm razão, não há pachorra sempre para a mesma coisa. Afinal, quantas maneiras há de fazer batatas fritas? (O primo direito sarcasmo, sempre à mão) A culpa também é deste país que nos serve sempre a mesma coisa. Já pensei ir para França, onde a comédia está muito mais desenvolvida. Mas não domino os acentos em francês. Agora, isso não pode ser desculpa para não pegar noutros personagens risíveis como Ségolène Royal, Frederic Miterrand ou victoria Silvstedt. (A ironia, a prima em segundo grau com que se perde a virgindade numas férias em Trás-os-montes) Mas bom, aí já é preciso fazer mais atençom.
PSrés-do-chão. Esqueci-me de avisar no início que este texto não tem piada (comiseração).
PS1. E que os outros todos também não (comiseração à fond lá gamelle).
PS2. Ganda consola! 

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