sexta-feira, 9 de março de 2012

O dia seguinte ao dia da mulher

O que eu gosto mais no dia da mulher é o dia a seguir. (Pausa) Desde logo porque as mulheres podem regressar à sua condição de todos os dias e deixar de fazer de homens. (Pausa) Agora que já abri uma ferida que muito dificilmente sarará, resta-me dar algumas explicações para o facto de conjugar o verbo sarar na  3.ª pessoa do singular do tempo futuro como se não houvesse consequências. Em primeiro lugar, peço desculpa por este facto, o que não sendo uma explicação, explica muita coisa. Não sei onde tinha a cabeça! Ando a ler muito a Bíblia. (Pausa) Não matarás... (Pausa) Não cobiçarás... (Pausa) Em segundo, queria dizer que as enunciações verbais fazem-me lembrar nomes de igrejas adventistas, e eu gosto muito da sonoridade dos nomes deste tipo de agremiação religiosa, o que por si só não explica grande coisa, sendo que isso já pouco me importa. Exemplificando: "Igreja da Santíssima Terceira Pessoa do Singular do Tempo Futuro". E questionam vocês que não existem e sabem sempre como fazer perguntas completamente descontextualizadas: 
- E por que razão é importante para ti que, numa das próximas emissões do «Até à verdade», Carlos Castro perdoe em directo Renato Seabra, que seguirá a emissão por video-conferência, ou através de um auricular místico, preparado para receber comunicações do além, e que já existe para esse efeito em Rikers Islands?
- Porque um dia destes vou a Nova Iorque e quero ver se se respira melhor por lá! E replicam vocês, como se fossem um tremor de terra com trigémeos:
- Em que estado terá ficado o computador do Renato? É que nos dava jeito e se calhar está parado nalguma arrecadação da NYPD e, como está em português, ninguém lhe dá uso. Enfim, quanto mais absurdas as vossas perguntas, mais dificuldades tenho eu em segurar as rédeas deste texto e falar do dia seguinte ao dia da mulher. Basicamente, o dia da mulher são 24 horas reservadas para que pessoas do sexo feminino se comportem como pessoas do sexo masculino.
- Durante 24 horas somos alarves como vós!, parece que ouço mulheres dizendo. Acreditem: não há nada de interessante em ser como nós. Eu só consigo pensar em vantagens em se ser mulher, desde logo, em operações stop. E replico eu a 10 na escala de Richter:
- Então e se pedisse à Rita Ferro Rodrigues para contactar o além e perguntar a Betty Grafstein se perdoa as caubóiadas do conde? Como? Não é preciso, porque ela ainda não faleceu? (Pausa) Parece-vos!
- Ah, por que é que não falas em pessoas que realmente já faleceram?
- Porque isso não era humor!
- Ah, e isto é?
- Não. Humor era se fizesse a mesma piada com a duquesa de Alba, não era? Enfim, vocês desiludem-me! Como a Betty anda meia desaparecida (deixou de se ver por que lhe devem ter caído os 10 quilos de botox compressado que tinha na cara ao visionar os vídeos do marido), já não entra nos vossos padrões elevados? Acho injusto. Além de que é uma mulher, e o conde é a pílula do dia seguinte ao dia da mulher.

Nota: o texto acabou em "operações stop". A partir daí fui eu a dar uns coices nas teclas enquanto era acometido de uma espondilose em fast forward.

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