terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ler revistas nos supermercados

Bom dia. Ontem à noite (perceberam o jogo de luzes? Não perceberam!... Pois...), antes de vir para casa saborear os prazeres de ser pai (que raramente se encontram com os prazeres de ser mãe) parei no Modelo a ver se tinha sorte com a Popota, mas entretanto informaram-me que a bicha hibernou e está neste momento a preparar o seu novo cd, que sai em Novembro próximo. Chegado ao estabelecimento de diversão noturna preferido dos portugueses (já viram as horas a que aquilo fecha?), alapei na zona das revistas. Já repararam que anda para aí uma moda de mamar tudo o que é folhetim, sobretudo, do social nas entradas dos supermercados? Parece a fila para a sopinha dos pobres! (Pausa) E é... Enfim, cheguei lá, ganhei posição junto à estante, e folheei publicações de carros, rasguei (inadvertidamente e sem ninguém ver) o plástico que cobre a penthouse e aproveitei para roçar o mato da zona púbica (também inadvertidamente, ontem estava muito inadvertido) nas chapinhas de alumínio da estante. Apesar da minha tentativa de conferir dignidade a este novo hábito dos portugueses (ler é bom, mas não a primeira bostinha que nos apareça pela frente!), não posso deixar de apontar (aproveito, também, para escarrar e  atirar pedras, como se faz na Bíblia) o dedo a uma nova forma de dependência (e dos dependentes que ela traz sempre atrás, a porcalhota): pessoas toxicodependentes de revistas. Porque sou uma pessoa atenta a fenómenos sociais emergentes (estive na linha da frente quando apareceu o andar em contra-mão na auto-estrada, o carjacking ou o roubo por esticão a caixas multibanco, este último, a que me voltarei a reportar em crónicas posteriores, por me parecer que poderá causar dúvidas a espíritos menos atentos que o meu), já pude constatar que há diferentes tipos de consumo, mas aquele que me enmerda mais é homens a ler revistas para mulheres, repare-se, não é de mulheres, é para mulheres. Alguns maricas nem tentam disfarçar e lêem à escandaleira, abrem bem as perninhas à publicação e aqui vai disto: orgias envolvendo pessoas que quase são pessoas mesmo, a gravidez do momento, o casalinho de candeias às avessas, o passeio à beira mar com o actual namorado, o cão deste e o filho de há dois casamentos e meio atrás. Óh meus amigos homens (salvo seja), vão lá ser gajas assim para outro lado! Só para acabar este assunto, que sinto que realça o que de pior há em mim, a saber, os joanetes e o nariz,  outros homens há que ainda sentem alguma vergonha e tentam disfarçar. Mas levar a revista para a secção de enlatados dá ainda mais nas vistas, meus amigos. Agora o que me apetece é pegar numa dessas revistas, enrolá-la bem enroladinha e, das duas uma: ou fumá-la e curtir a moca até amanhã de manhã, ou bater-vos com ela na focinheira, que é, por um lado, o que vocês merecem, e por outro, o que tem de ser! E o que tem de ser... tem muita força!

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