sábado, 21 de janeiro de 2012

A cantora careca

Nota prévia: este texto tem piada, é preciso é dar-lhe tempo.

Quando o Mr. Smith, de Ionesco, se vira para Mrs Smith e lhe diz, com aquela paciência salomónica - e arte na gestão de conflitos - com que, habitualmente, um homem explica à mulher avarias mecânicas: - Le commandant d'un bateau périt avec le bateau, dans les vagues. Il ne lui survit pas, ainda não tinha visto aquele filme que saiu recentemente, e protagonizado por Francesco Schettino, como é que se chama, áh, já me lembro, o Costa Concordia. Pessoalmente, não sou daquelas pessoas que vão logo levantar suspeitas infundadas, falsos testemunhos e tirar conclusões precipitadas, mas o comandante do navio de cruzeiro italiano estava, no momento do acidente, acompanhado por uma jovem de vinte e cinco anos. E em Itália toda a gente sabe que "acompanhado" é eufemismo/código dos media de Berlusconi para "bunga bunga". Depois, há outro eufemismo estrategicamente usado nesta tragicomédia de costumes italiana: é que, erradamente, as notícias veiculam a ideia de que o navio terá embatido contra uma rocha junto à ilha de Giglio, na Toscanna, quando é claro em muitas das imagens, nomeadamente, de satélite, tiradas à embarcação que esta embateu contra a própria ilha. Que posso dizer, o comandante ia "distraído", que é outro eufemismo para "acompanhado". Ou então, queria mesmo fazer um favor a um membro da tripulação, que era de Giglio, que consistia em passar o mais próximo possível da ilha para que este pudesse "acenar" aos seus familiares e amigos, plano esse que incluia dar um chocho na namorada, que o aguardava no recorte da ilha, com o Costa Concordia em andamento. E quase que dava!

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